Macroeconomia · Análise

Inflação em Portugal: o que os números de 2024 realmente dizem

A taxa global desceu — mas isso não significa que os preços baixaram. Explicamos a diferença.

Close-up de uma etiqueta de preço num supermercado português com fundo desfocado em tom terracota

Quando o INE anunciou que a inflação desceu para 2,2% em 2024, muitos leitores ficaram confusos: se a inflação caiu, porque é que o supermercado continua mais caro do que em 2021? A resposta está na diferença entre a taxa de variação e o nível de preços. A inflação mede a velocidade a que os preços sobem — não o valor absoluto. Uma taxa de 2,2% significa que os preços subiram 2,2% face ao ano anterior, não que regressaram ao nível de antes. Para os bens alimentares, o índice acumulado desde janeiro de 2020 supera os 22% em Portugal, segundo dados do Eurostat. Isso significa que uma cesta de compras que custava 100 euros em 2020 custa hoje cerca de 122 euros — mesmo com a inflação a abrandar. O abrandamento é real e é positivo: significa menos pressão sobre o poder de compra a cada mês que passa. Mas o nível de preços mais elevado veio para ficar, e a maioria dos rendimentos — salário mínimo incluído — ainda não recuperou completamente esse diferencial. Em termos setoriais, a habitação e a energia continuam a ser os dois vetores de maior pressão para as famílias portuguesas, com os custos de arrendamento em Lisboa e Porto a subir a um ritmo que supera em larga medida a inflação geral. A análise regional da Techgridr mostra que em cidades como Aveiro, Viseu ou Leiria, a pressão é menor mas igualmente crescente.

O que pode mudar em 2025? Os principais indicadores avançados — nomeadamente os índices de preços no produtor e os custos das matérias-primas — apontam para uma estabilização. O BCE mantém uma postura cautelosa e qualquer descida adicional das taxas de juro dependerá de os dados confirmarem essa trajetória. Para as famílias com crédito à habitação indexado à Euribor, o alívio já começou a sentir-se nas prestações mensais, mas de forma gradual. A Techgridr continuará a acompanhar estes dados mensalmente, comparando sempre os valores nacionais com os regionais, para que possas perceber o que os números significam onde vives.